terça-feira, 12 de maio de 2009

POBRE CORAÇÃO

O coração assemelha-se a uma criança caprichosa e irrefletida: não se sabe nunca, ao certo, o que almeja realmente, e, por isso, a dúvida a martiriza do berço ao túmulo.

Às vezes o sonho suave, singular, é para ele sofrimento indizível, uma veemente aspiração, que lhe parece ser a única da existência.

Se uma fada bondosa lhe dissesse: - “Pode ser concretizado agora!” ele ficaria perplexo e interrogaria a si mesmo: -“Serei eu realmente feliz, tornando a flor de um sonho em fruto tangível?” E teme que seu desejo querido se transforme em certeza palpável, porque, logo, se transformaria em pó...

O coração vive a fantasiar, a arquitetar castelos de areia que se desfazem com os ventos da desilusão.

Só o que é tangível, inacessível, encontra solo fértil no coração humano. Como uma delicada flor, de beleza irrefutável, se desfaz em suas pétalas ao desaguar duas róseas utopias.

Sofrimento, dor...

Eis os fiéis inquilinos do pobre coração humano.



Vanessa Figueiredo


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