segunda-feira, 28 de setembro de 2009

ONDE DEUS POSSA ME OUVIR

Sabe o que eu queria agora, meu bem...
Sair, chegar lá fora e encontrar alguém
Que não me dissesse nada
Não me perguntasse nada também
Que me oferecesse um colo, um ombro
Onde eu desaguasse todo o desengano
Mas a vida anda louca
As pessoas andam tristes
Meus amigos são amigos de ninguém
Sabe o que eu mais quero agora, meu amor?
Morar no interior do meu interior
Pra entender por que se agridem
Se empurram pro abismo,
Se debatem, se combatem sem saber
Meu amor...
Deixa eu chorar até cansar
Me leve pra qualquer lugar
Aonde deus possa me ouvir
Minha dor...
Eu não consigo compreender
Eu quero algo pra beber
Me deixe aqui, pode sair

Adeus

æ\Vander Lee/æ

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora
Hoje é do jeito que achou que seria?
Quantos amigos você jogou fora
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber
Quantas mentiras você condenava
Quantas você teve que cometer
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você
Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você
Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você

☼Oswaldo Montenegro☼

sábado, 29 de agosto de 2009

SUTILMENTE


E quando eu estiver
Triste
Simplesmente
Me abrace
E quando eu estiver
Louco
Subitamente
Se afaste
E quando eu estiver
Fogo
Suavemente
Se encaixe...

E quando eu estiver
Triste
Simplesmente
Me abrace
E quando eu estiver
Louco
Subitamente
Se afaste
E quando eu estiver
Bobo
Sutilmente
Disfarce...

Mas quando eu estiver
Morto
Suplico que não me mate não
Dentro de ti
Dentro de ti...

Mesmo que o mundo
Acabe enfim
Dentro de tudo
Que cabe em ti

Samuel Rosa

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

AFINIDADE


A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil,
delicado e penetrante dos sentimentos.
O mais independente.

Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos,
as distâncias, as impossibilidades.
Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação,
o diálogo, a conversa, o afeto, no exato ponto em que foi interrompido.
Afinidade é não haver tempo mediando a vida.


É uma vitória do adivinhado sobre o real.
Do subjetivo sobre o objetivo.
Do permanente sobre o passageiro.
Do básico sobre o superficial.
Ter afinidade é muito raro.

Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar.
Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois
que as pessoas deixaram de estar juntas.

O que você tem dificuldade de expressar a um não afim, sai simples
e claro diante de alguém com quem você tem afinidade.

Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos
fatos que impressionam, comovem ou mobilizam.
É ficar conversando sem trocar palavra.
É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.

Afinidade é sentir com.
Nem sentir contra, nem sentir para, nem sentir por, nem sentir pelo.
Quanta gente ama loucamente, mas sente contra o ser amado.
Quantos amam e sentem para o ser amado, não para eles próprios.

Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo.
É olhar e perceber.

É mais calar do que falar.
Ou quando é falar, jamais explicar, apenas afirmar.

Afinidade é jamais sentir por.
Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo.
Mas quem sente com, avalia sem se contaminar.
Compreende sem ocupar o lugar do outro.
Aceita para poder questionar.
Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar.

Só entra em relação rica e saudável com o outro,
quem aceita para poder questionar.
Não sei se sou claro: quem aceita para poder questionar,
não nega ao outro a possibilidade de ser o que é, como é, da maneira que é.
E, aceitando-o, aí sim, pode questionar, até duramente, se for o caso.
Isso é afinidade.
Mas o habitual é vermos alguém questionar porque não aceita
o outro como ele é. Por isso, aliás, questiona.
Questionamento de afins, eis a (in)fluência.

Questionamento de não afins, eis a guerra.

A afinidade não precisa do amor. Pode existir com ou sem ele.
Independente dele. A quilômetros de distância.
Na maneira de falar, de escrever, de andar, de respirar.
Há afinidade por pessoas a quem apenas vemos passar,
por vizinhos com quem nunca falamos e de quem nada sabemos.
Há afinidade com pessoas de outros continentes a quem nunca vemos,
veremos ou falaremos.

Quem pode afirmar que, durante o sono, fluidos nossos não saem
para buscar sintomas com pessoas distantes,
com amigos a quem não vemos, com amores latentes,
com irmãos do não vivido?

A afinidade é singular, discreta e independente,
porque não precisa do tempo para existir.
Vinte anos sem ver aquela pessoa com quem se estabeleceu
o vínculo da afinidade!
No dia em que a vir de novo, você vai prosseguir a relação
exatamente do ponto em que parou.
Afinidade é a adivinhação de essências não conhecidas
nem pelas pessoas que as tem.

Por prescindir do tempo e ser a ele superior,
a afinidade vence a morte, porque cada um de nós traz afinidades
ancestrais com a experiência da espécie no inconsciente.
Ela se prolonga nas células dos que nascem de nós,
para encontrar sintonias futuras nas quais estaremos presentes.
Sensível é a afinidade.
É exigente, apenas de que as pessoas evoluam parecido.
Que a erosão, amadurecimento ou aperfeiçoamento sejam do mesmo grau,
porque o que define a afinidade é a sua existência também depois.

Aquele ou aquela de quem você foi tão amigo ou amado, e anos depois
encontra com saudade ou alegria, mas percebe que não vai conseguir
restituir o clima afetivo de antes,
é alguém com quem a afinidade foi temporária.
E afinidade real não é temporária. É supra temporal.
Nada mais doloroso que contemplar afinidade morta,
ou a ilusão de que as vivências daquela época eram afinidade.
A pessoa mudou, transformou-se por outros meios.
A vida passou por ela e fez tempestades, chuvas,
plantios de resultado diverso.

Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças,
é conversar no silêncio, tanto das possibilidades exercidas,
quantos das impossibilidades vividas.

Afinidade é retomar a relação do ponto em que parou,
sem lamentar o tempo da separação.
Porque tempo e separação nunca existiram.
Foram apenas a oportunidade dada (tirada) pela vida,
para que a maturação comum pudesse se dar.
E para que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais,
a expressão do outro sob a forma ampliada e
refletida do eu individual aprimorado.

Arthur da Távola

terça-feira, 18 de agosto de 2009

SEGREDOS


Eu procuro um amor que ainda não encontrei
Diferente de todos que amei
Nos seus olhos quero descobrir uma razão para viver
E as feridas dessa vida eu quero esquecer
Pode ser que eu a encontre numa fila de cinema,
Numa esquina
Ou numa mesa de bar.

Procuro um amor que seja bom pra mim
Vou procurar, eu vou até o fim
E eu vou tratá-la bem
Pra que ela não tenha medo
Quando começar a conhecer os meus segredos

Eu procuro um amor, uma razão para viver
E as feridas dessa vida eu quero esquecer
Pode ser que eu gagueje sem saber o que falar
Mas eu disfarço e não saio sem ela de lá

Procuro um amor que seja bom pra mim
Vou procurar eu vou até o fim
E eu vou trata-la bem
Pra que ela não tenha medo
Quando começar a conhecer os meus segredos

Procuro um amor
Que seja bom pra mim
Vou procurar, eu vou até o fim.

Eu procuro um amor
Que seja bom pra mim
Vou procurar, eu vou até o fim.

FREJAT

Eu te desejo não parar tão cedo
Pois toda idade tem prazer e medo
E com os que erram feio e bastante
Que você consiga ser tolerante
Quando você ficar triste
Que seja por um dia, e não o ano inteiro
E que você descubra que rir é bom,
mas que rir de tudo é desespero
Desejo que você tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda, exista amor pra recomeçar
Pra recomeçar
Eu te desejo, muitos amigos
Mas que em um você possa confiar
E que tenha até inimigos
Pra você não deixar de duvidar
Quando você ficar triste
Que seja por um dia, e não o ano inteiro
E que você descubra que rir é bom,
mas que rir de tudo é desespero
Desejo que você tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda, exista amor pra recomeçar
Pra recomeçar
Eu desejo que você ganhe dinheiro
Pois é preciso viver também
E que você diga a ele, pelo menos uma vez,
Quem é mesmo dono de quem

Frejat

terça-feira, 14 de julho de 2009

Beijo suave transgressor


Marcam um encontro para que ele a ajude com um software.
No quarto dela sentam-se próximos.
Ele começa a trabalhar.
Ela o observa discretamente e ele também.
Ele diz: você está linda.
Ela se intimida mais ainda, porém feliz com o elogio.
Essas palavras expressam um desejo, o desejo de um beijo que escorre pelas entrelinhas das palavras ditas pelos dois.
Ela sentada, abaixa a cabeça para pegar algo e ele faz um carinho em sua nuca.
Pronto.
Para ela, isso já foi uma deixa.
O cupido está ali com suas flechas certeiras para atingí-los
Ele faz um carinho em suas mãos. Então chega o momento tão esperado, e para ele, por sua timidez, difícil, seu coração deveria estar aos pulos. Suas mãos suadas, que ele dá como desculpa ser o cansaço.
Ah, mas nosso corpo não nos deixa mentir.
Quero beijá-la.
Ela também o quer.
Sentados de frente, um para o outro, eles se olham nos olhos, ele a puxa suavemente e se beijam. Um beijo esperado e que não podia de ser levado pelo vento do medo. Um beijo suave, morno, onde os labios se amam. Durante o beijo os carinhos ele diz: "desde a primeira vez que a vi queria te beijar".
Ela se sente feliz. Coração batendo forte.
A timidez dos dois foi calada com um beijo.

☼Vanessa Figueiredo☼


terça-feira, 12 de maio de 2009

POBRE CORAÇÃO

O coração assemelha-se a uma criança caprichosa e irrefletida: não se sabe nunca, ao certo, o que almeja realmente, e, por isso, a dúvida a martiriza do berço ao túmulo.

Às vezes o sonho suave, singular, é para ele sofrimento indizível, uma veemente aspiração, que lhe parece ser a única da existência.

Se uma fada bondosa lhe dissesse: - “Pode ser concretizado agora!” ele ficaria perplexo e interrogaria a si mesmo: -“Serei eu realmente feliz, tornando a flor de um sonho em fruto tangível?” E teme que seu desejo querido se transforme em certeza palpável, porque, logo, se transformaria em pó...

O coração vive a fantasiar, a arquitetar castelos de areia que se desfazem com os ventos da desilusão.

Só o que é tangível, inacessível, encontra solo fértil no coração humano. Como uma delicada flor, de beleza irrefutável, se desfaz em suas pétalas ao desaguar duas róseas utopias.

Sofrimento, dor...

Eis os fiéis inquilinos do pobre coração humano.



Vanessa Figueiredo


sábado, 9 de maio de 2009

BANDOLINS

BANDOLINS - Oswaldo Motenegro

Como fosse um lar, seu corpo a valsa triste iluminava
e a noite caminhava assim
E como um par o vento e a madrugada iluminavam
A fada do meu botequim
Valsando como valsa uma criança
Que entra na roda, a noite tá no fim
Ela valsando só na madrugada
Se julgando amada ao som dos bandolins

Como fosse um par que nessa valsa triste
Se desenvolvesse ao som dos bandolins
E como não e por que não dizer
Que o mundo respirava mais se ela apertava assim
Seu colo e como se não fosse um tempo
em que já fosse impróprio se dançar assim
Ela teimou e enfrentou o mundo
Se rodopiando ao som dos bandolins

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Flexibilidade


“Ao nascer, o homem é suave e flexível;

quando morre, é duro e rígido.

Ao nascer, as plantas são tenras e frágeis,

quando morrem, são secas e fortes.

A rigidez e a força são sinais da morte,

a suavidade e a flexibilidade são manifestações da vida.

Um arco rígido não sairá vitorioso;

uma árvore que não se curva, tombará.

O que é duro e rígido perece.

O que é suave e flexível prospera.”


Lao Tsu - Tao Te Ching

sexta-feira, 10 de abril de 2009

ERA UMA VEZ...

Toda história começa com “Era uma vez...”

Nela há a bela donzela que sonha em encontrar seu príncipe encantado e que uma bruxa má, um lobo faminto, um dragão feroz, impede esse encontro, até que o príncipe derrota o vilão, beija a donzela e vivem felizes para sempre.

Ah! Ledo engano de quem pensa em, um dia, encontrar o príncipe encantado. Encontramos sim, muitos sapos que se dizem príncipes que foram enfeitiçados, ou príncipes que no decorrer da relação se transformam em sapos.

Afinal, o que esperar?

Será que existe um final feliz?

Bom, primeiro devemos liquidar o estigma do príncipe. Pensemos e os encaremos como eles são realmente.

Também desmistifiquemos a idéia de “felizes para sempre...”

Podemos ter momentos felizes e também momentos de discórdia. Mas daí a imaginar uma felicidade infinita é pura fábula.

- “Nossa, mas como posso viver sem sonhar?” podem dizer...

Sonhe com os pés no chão.

Não se sinta como um balão inflado por elogios, por idéias de grandeza, por ilusões.

Balões acabam murchando quando não são, também, levados pelo vento.

- “Que pessimismo!”, podem dizer alguns.

- “Que realismo!”, dizem outros.

- “Arruinou com meus sonhos...”, dizem outros tantos.

O que posso dizer é: ame-se, ame-se, ame-se.

Ser amado (a) pelo outro é uma conseqüência natural das coisas, e em me amar, estarei pronto (a) para amar, sem sofrer. Aí então poderei ser feliz por longo tempo.



Vanessa Figuieiredo


domingo, 5 de abril de 2009

PROJETO DE PREFÁCIO


Sábias agudezas... refinamentos...
- não!
Nada disso encontrarás aqui.
Um poema não é para te distraíres
como com essas imagens mutantes de caleidoscópios.
Um poema não é quando te deténs para apreciar um detalhe
Um poema não é também quando paras no fim,
porque um verdadeiro poema continua sempre...
Um poema que não te ajude a viver e não saiba preparar-te para a morte
não tem sentido: é um pobre chocalho de palavras.

MÁRIO QUINTANA

sábado, 21 de março de 2009

UM AMOR PURO

O que há dentro do meu coração
Eu tenho guardado pra te dar
E todas as horas que o tempo
Tem pra me conceder
São tuas até morrer

E a tua história, eu não sei

Mas me diga só o que for bom

Um amor tão puro que ainda nem sabe
A força que tem

É teu e de mais ninguém

Te adoro em tudo, tudo, tudo

Quero mais que tudo, tudo, tudo
Te amar sem limites
Viver uma grande estória

Aqui ou noutro lugar

Que pode ser feio ou bonito

Se nós estivermos juntos

Haverá um céu azul

Um amor puro

Não sabe a força que tem

Meu amor eu juro

Ser tua e de mais ninguém

Um amor puro...


(Djavan)

Onde estará o meu Amor?



Como esta noite findará
E o sol então rebrilhará
Estou pensando em você
Onde estará o meu amor...

Será que vela como eu
Será que chama como eu
Será que pergunta por mim
Onde estará o meu amor...

Se a voz da noite responder
Onde estou eu
Onde está você
Estamos cá dentro de nós...
sós...
Onde estará o meu amor

Se a voz da noite silenciar
Raio de sol vai me levar
Raio de sol vai lhe trazer

Como esta noite findará
E o sol então rebrilhará
Estou pensando em você (pode ser você?)

Será que vela como eu
Será que chama como eu
Será que pergunta por mim

Onde estará o meu amor

(Chico César)

sexta-feira, 20 de março de 2009

Jasmins... Lírios...

Sempre cultivei em meu jardim, Jasmins. Minhas flores prediletas.
Acho todas as flores lindas,
mas o Jasmin me inebria com seu perfume.
Foi então que conheci o Lírio...

Oh! quão encantada fiquei com sua beleza!...

Pétalas que transmitem força.

Senti medo...

Medo de plantá-lo e não saber como cultivá-lo
Machucá-lo por falta de habilidade, jamais!

Mas tão atraída fiquei...


Não consigo esquecer da beleza de suas pétalas de veludo
Tão belo e afável és...
Como será o teu olor?
Nunca ousei tocar-te as pétalas
Que magia tens, belo Lírio, que me magnetiza?
Jasmins... Lírios...
Sim, em meu jardim podem florescer juntos
Então, o mais suave, doce
Será meu preferido
Sem jamais desprezar o preterido
Mas...
Por que já não me encanto tanto Com o perfume do jasmim, como dantes?
Será sua magia e mistério belo Lírio?



Vanessa Figueirêdo



Tempo...


Espelho...
Por que és assim, tão cruelmente verdadeiro?
Por que não mentes uma vez sequer,
E me deixas ver
A beleza perdida no tempo
Tempo...
Outro cruel companheiro...
Onde deixei minha alegria?
Em que momento perdi o rumo, as rédeas
E te deixei fazer de mim
Essa figura que agora desconheço?
Esa imagem que ora se reflete
Não é a imagem que quero
Quero o verdor da juventude
Que agora se esconde por entre os sulcos
Que se formam em meu rosto
Outrora era apenas
A marca do meu eterno sorrir
Hoje marca insistentemente a minha face
Acusando-me do que não quero ser
Ser...
Quem sou?
Em que tempo fiquei?
Tempo...


VFS

Espelhos da Alma


Por entre as minhas ternas lembranças
Surge ter doce olhar

O mesmo olhar que hoje

Procuro em vários rostos, sem encontrar
Até em ti mesmo

Já não consigo mais vislumbrar

Tornou-se amargo, inóspito

Te desconheço...

Em vários rostos busco aqueles traços

Que antes me traziam esperança, confiança, fantasia

Oh! por que fugistes como fauno encantado

Levando consigo a magia dos meus sonhos

Teu olhar

Teu suave e penetrante olhar...

Mas por que insisto tanto em lembrar do teu olhar?!?

Olhos
...
Porta secreta da alma

Para mim, já não és mais secreta

Já te descubro, te revelo

Por não encontrar o que procuro
Me desespero

Por onde ficou perdido

O teu encantador olhar?



VFS